sábado, 20 de novembro de 2010

Meu Porto



Há 3 dias voltei de uma viagem que fiz a Porto Alegre, no RS. Não sei se é o sotaque cantado, o tom mais claro ou apenas a intimidade que as ruas me transmitem, mas algo naquela cidade simplesmente me fascina. Lá é boa companhia na certa.





Atravessei o país para me deparar com imensos jacarandás adornando as ruas com túneis em tons de lilás vivo. As sibipirunas contrastavam o seu amarelo com os bonitos dias de céu azul que tive a sorte de presenciar. Porto Alegre me recebeu de braços abertos.



Paul McCartney me arrancou gritos, lágrimas e longos suspiros. Realizou meus sonhos e se fez eterno de tantas formas diferentes em uma lembrança concreta, sólida, palpável. Fui levada a um patamar sublime de sensações e tanta era a minha alegria que ali virou meu porto seguro.




O que se faz quando todos os seus sonhos se realizam? Quando a sua expectativa é atingida? Ora, eu rezei para não acabar. Mas quando chorei foram os braços das estradas que acolheram minha dor.



Vaguei por ruas desertas e desconhecidas. Passei frio e a solidão me doeu. Sentei num café e li horas sob a luz de um arco-íris, e nunca me senti tão em paz.



Deitei embaixo de cobertas quentes de uma enorme cama de casal pra um.

E quando os meus medos se tornaram realidade foi o meu pranto que me fez dormir...


Voltei com a lua a me escoltar do lado esquerdo da minha janela. Ela apareceu as duas horas da tarde e me acompanhou até o momento que os meus olhos inchados cederam à fadiga.


Gato preto cruzou o meu caminho, pode alguém pensar em desatino, mas pra mim foi mais do que simples instinto felino.



Fui virada por frases soltas ao moinho, que nada tinham a ver com os meus domínios, mas os perdia quando me perguntava: “Então porque lugares tão bonitos?”


Me dei ao luxo de viver no meu sonho e me arranquei forças para curtir aquilo como a melhor fantasia. Foi, de fato, maravilhoso.


Voltei com lágrimas nos olhos. Porto Alegre me devolveu com um pouco menos de alegria.