segunda-feira, 5 de julho de 2010

Espera a chuva cair. (dedicado ao Tio Lú)

O sino da igreja badalava 12 vezes quando a sky apresentou os primeiros sinais de chuva. Pra quem nao sabe, nao há no mundo, nem nos sistemas da nasa, um melhor preditor de tempo do que a sky. Se a imagem começou a falhar, pode contar que é chuva na certa.


O sol se intimidou com a grande quantidade de nuvens e resolveu se enconder em algum lugar, e a noite chegou ao meio-dia. Abri a porta e gritei pela minha golden retriever, famosa por seu amor inenarravel por agua, e os primeiros pingos já se antecipavam...


Peguei uma sombrinha para cruzar a parte descoberta da casa até onde minha mãe estava e a agua, vinda do ceu, me lavou até as coxas. Fato este que apenas me comprova a enorme impotencia deste artefato perante nossas manifestações climáticas de rotina. (...)


A essa altura os cachorros se tremiam de medo dos trovoes e os raios nos distraiam num festival estroboscópico. A chuva caia ambundantemente.


Quanto tempo faz que voce nao toma banho de chuva?


Nao digo se enxarcar na chuva na saida do carro ate a porta de casa. E sim tirar os sapatos e deixar a chuva escorrer. Sem correr dela, sem medo de se molhar.


De chutar poças d’água sem a raiva de estar estragando o sapato. Levantar os olhos pro céu e sentir cada gota tocar o rosto ao inves de curvar a cabeça se preocupando com o cabelo.


Qual a última vez que você não insultou a chuva no meio de um dia de semana?


Que você se deixou repousar numa rede, com a umidade te fazendo brisa ao som sincronico e musical da água batendo no chão...


A chuva é boa companhia. Dias chuvosos dão arrepios, preguiça e vontade de pensar. Prende você a um bom livro, a um bom filme, a um bom abraço.


Manaus é tropicalmente chuvosa e poder apreciar a chuva, pelo menos de vez em quando, sem xingar os céus, é um grande privilégio.


Por isso, só hoje, ou na próxima vez, tire seus sapatos, solte os cabelos e aproveite a chuva!

Get over it!

Ser rejeitada é a pior das sensacoes. O mais impressionante é como a rejeicao nunca vem sozinha. Geralmente vem acompanhada de uma nota ruim, uma gripe ou uma batida de carro.


Sao aqueles dias que vc acha que nada mais pode dar errado e acaba com vc recebendo uma mensagem te chamando pra uma conversa.


As desculpas sempre sao as piores. Elas vem disfarçadas em todos os elogios de o quanto somos maravilhosas e perfeitas “demais”...


Quando voce vira as costas, vc comeca a se conscientizar que o proximo passo já é uma vida diferente da que voce tinha. Voce tenta se conformar com a ideia de que voce nao vai ter ninguem te ligando por volta das sete da noite e que ao encostar a cabeca no travesseiro voce nao vai ter mais novas lembrancas para sonhar acordada e dormir com um sorriso.


Voce chora um pouco, se convence que “é melhor assim” e dorme um sono inquieto.


O segundo dia é o mais difícil... ele começa com a sensação de que tudo era verdade... que não foi um sonho. Você arrasta o tempo entorpecida em distracoes que não surtem muito efeito e com o coração pesando uma tonelada.


A respiração é constantemente entrecortada por suspiros melancolicos e as musicas ressoam na sua cabeça, buscando qualquer resquício de saudade.


Por vezes você canta alto, dentro do carro. Por outras você chora baixo, olhando pro teto.


A noite chega e a lua te esnoba exibindo um brilho descomunal. Voce deita pra dormir mais cedo e o sono nao vem. As horas passam lentamente diante dos seus olhos enquanto voce revira na cama e a sua cabeça repousa no travesseiro molhado.


Seus olhos se fecham e voce pede a Deus que te adormeça, pede pra parar de pensar, pede pra esquecer e ,enfim, voce consegue dormir no meio de uma prece, as tres horas da manha.


O dia que se segue é mais analítico. Você procura encontrar motivos, respostas, consolos. Os pensamentos sao menos constantes mas ainda te pegam de surpresa e volta e meia a sua melhor amiga te cutuca porque, mais uma vez, voce tocou no nome dele.


Ainda que te machuque, voce coloca o cd que ele gravou pra voce pra tocar no carro. Arranja qualquer coisa pra te tirar de casa a noite.


Voce se arruma, se olha no espelho e nao se reconhece.


A madrugada é palco de sucessivas ilusoes e por alguns minutos voce acredita que tudo passou até que você chega em casa, acende a luz do seu quarto, deita na cama sem tirar a roupa ou mexer no edredon, e deixa o rímel escorrer pela fronha.


Em dias que voce acorda melhor e acredita que deu um passo a frente com um que de raios de sol, seu celular vibra com uma mensagem; dele!


A única coisa que voce consegue ler é a plavra “saudade” e é quando seu pé escorrega da beirada do poço e você cai novamente.

E dessa forma os dias reastejam, as semanas voam e você acorda no mês seguinte e a impressão é de que você ainda está dentro do carro com o rosto entre as mãos enxarcadas.


Você levanta em passos lentos, se olha de relance no espelho do corredor e pensa: “um dia passa”.